Maracanaú... 
Como todos sabem, a pedra não era pequena, por isso eu to trabalhando não em Fortaleza, mas numa cidade “próxima”
chamada Maracanaú – conta a lenda que Maracanú nasceu de uma gota de pus de Deus que caiu numa poça de lama.
(Judas não lembra onde perdeu as botas, mas tem certeza que não foi em Maracanaú, nunca esteve naquele buraco; e o vento faz a curva antes, acha “muito deserto por aquelas bandas”...). Macanaú, ou Mordor do Norte, fica à uma hora de Fortaleza, que por sua vez é uma espécie de Macaé com sotaque e sem o aqüé dó petróleo (nossa, meus parâmetros estão o ó! Não vejo a hora de pegar projetos em Luxemburgo ou Toronto!). E assim lá vou eu, ruiva e radiante na Kombi – isso mesmo, eles mandam uma Kombi nos pegar no hotel! – sacudindo mais que epilético em crise convulsiva até chegar à empresa.
Dizem que Maracanaú é um “pólo industrial”. Na verdade, é um fim-de-mundo com meia dúzia de fábricas,
e essa que eu estou trabalhando fica ao lado da fábrica Estrela. Também pensei que fosse a de brinquedos, mas é uma de biscoitos vagabundos. Por conta disso, a gente passa o dia inteiro com aquele cheirinho de biscoito assando. Ou seja, quando vc está com fome, fica muito mais (delícia: o povo queimando a rosca e a gente só com água na boca...), mas quando não está, fica enjoado com aquele cheiro. 
O povo da empresa é super gente boa; super simpáticos como todo mundo por aqui – e, como todo mundo aqui também, feios de dar dó!
O prédio da empresa é novinho, coisa de 2 anos. Jardins bem cuidados, salas amplas, banheiros em mármore. Banheiros esses que guardam surpresas: terça, por volta das 17h, vou eu ao banheiro. Tava calor, mas as janelas do banheiro abertas deixam entrar um arzinho... é... outras coisas também: dentro da privada, com metade do corpo submersa, se refrescando, estava uma perereca daquelas grandonas amarronzadas.
Fiz a maluca, peguei a chuca, aquele chuveirinho para lavar o edi, e dei uma jato d’água na perereca (ai! Que asco!) crente que ela ia fazer a sereia e mergulhar, mas, viado, ela fez a Diane! Pulou pra cima de mim! Ainda bem que eu sou ninja! Bicha, ela grudou na parede de um lado, na altura do meu peito, e eu grudei do outro, na porta! E pior, fazendo a calada porque o pessoal fica na sala ao lado do banheiro!
Ta... me acalmei e lentamente desgrudei da porta. Mas para poder abrir a desgraça da porta, eu tinha de me afastar dela e me aproximar daquele réptil âmbar pegajoso. Já que não tinha jeito, fui... viado, ela pulou de novo!
Não pensei duas vezes! Fiz a jogada de muco da mona loca muda: corpo pr’um lado, cabeça pr’outro, agachamento em velocidade
e um berro estridente abafado (na jogada de muco da mona louca simples, o grito não é abafado). Foram segundos de tensão enquanto eu esperava sentir o corpo gelado e molhado com água da privada daquele bicho... mas quando olhei para a parede, lá estava ela, alguns centímetros acima (fiquei impressionada com a agilidade dela! Sério...).
Saí do banheiro suada, meio atabalhoada, com aquele risinho bobo de quem acabou de tomar um susto de matar... joguei o muco e fui... ai, ai, acho que essa minha estada no Ceará não será tão fácil...
Chups,
SSMBA (morena, bonita e arretada!)